As rosas murcharam,
talvez por falta de varanda.
Guardou porém a fita
e o vaso, em frágil memória.
“Isto morreu tudo”, dizia,
procurando não ver o tecto
a esboroar-se, cada vaz
mais perto do chão.

Insistiu em oferecer-me
um copo de vinho tinto
– “cerveja só amanhã”,
para tão escassa freguesia.
Perguntou-me ainda de
onde vinha, onde morava,
caso não fosse indiscrição.
Em Campolide, no seu parecer,
“tem-se a ideia que se vive.
Aqui morre-se.”

Prometi voltar antes do Natal,
sabendo o quanto as flores são perecíveis.

A FLOR DOS TERRAMOTOS, Manuel de Freitas, Averno (1ª edição)
23.00 euros

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